Com muito amor e alegria, nós, Vanessa Miranda e Rejane Maria Bohnert, assumimos a tarefa de promover no Brasil a causa para a Canonização de Chiquitunga. Entre em contato conosco para pedir maiores informações, enviar o seu testemunho ou manifestar o desejo de colaborar conosco para juntos trabalharmos na divulgação da vida desta mulher que tanto amou.
E-mail: chiquitungaocd@gmail.com

Fragmentos dos Diários Íntimos:

terça-feira, 23 de junho de 2020

O RETÁBULO DO ARTISTA KOKI RUIZ DE CHIQUITUNGA PARA SUA BEATIFICAÇÃO



O jovem Ángel Ramón Domínguez, protagonista do principal milagre atribuído a primeira beata paraguaia, participou emocionado com sua família da missa de beatificação de Maria Felícia de Jesus Sacramentado, mais conhecida como Chiquitunga.



O silêncio que imperava no estádio do Clube Cerro Porteño, aonde participaram mais 40.000 paraguaios, e pessoas vindas de outros países, se rompeu em quanto o Cardeal Angelo Amato concluiu suas palavras e se destapou o retábulo, com rosários em tons ocre, ante os aplausos dos assistentes e o olhar emocionado dos familiares de «Chiquitunga».





Por fim, os fiéis contemplavam o escondido retábulo que Koki Ruiz começou a elaborar em fevereiro com os rosários que os fiéis enviavam, acompanhados de notas de agradecimento que também formaram parte do altar.





O ato litúrgico continuou com a apresentação da relíquia de Chiquitunga, seu cérebro incorrupto, carregado por duas irmãs carmelitas do Carmelo de Assunção, e dos freis carmelitas, acompanhados pelo adolescente que recebeu o milagre que  permitiu a beatificação da monja paraguaia.





Ángel e sua avó vivem no bairro Santa Ana do distrito de São Pedro de Ycuamandyyú, estado de São Pedro.





A vida de Ángel é considerada uma graça de Maria Felícia de Jesus Sacramentado “Chiquitunga”, devido a que o jovem nasceu sem sinais de vida e foi dado por morto pelos médicos. No entanto, a licenciada Blanca Duarte, enfermeira do hospital que assistiu o parto, pediu a intercessão de Chiquitunga e logo, após 30 minutos de seu nascimento Ángel começou a mostrar sinais de vida.





Chiquitunga se converteu no sábado do dia 23 de junho de 2018 na primeira beata paraguaia, mediante o ato que se realizou no estádio do clube Cerro Porteño de Assunção, com presencia do Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos do Vaticano, Cardeal Angelo Amato.
“Chiquitunga” nasceu em Villarrica em 1925, com o nome de Maria Felícia Guggiari Echeverría, e faleceu aos 34 anos, em 1959.


















segunda-feira, 22 de junho de 2020

RECONHECIMENTO DO MILAGRE QUE LEVOU CHIQUITUNGA AOS ALTARES




Por ocasião de sua visita ao Paraguai em julho de 2015, o povo paraguaio entregou ao papa francisco uma carta para que Chiquitunga seja mais conhecida e declarada santa. O povo paraguaio e sua família recebeu com emoção o reconhecimento de seu milagre.
No dia 1.º de junho de 2017, a junta médica do Vaticano reconheceu que não há nenhuma explicação científica para a cura obtida pela intercessão de Maria Felícia ao recém-nascido sem sinais de vida. Ocorreu no Hospital São Pedro, Paraguai, em 2002.

Ángel e sua mãe
Um casal de surdos-mudos, a mãe que estava para dar a luz teve complicações no parto, a criança nasceu morta e uma enfermeira diante da grande necessidade deste bebê permanecer com vida, visto que seus 
pais eram surdos-mudos, ela recorreu a intercessão de Chiquitunga e dentro de trinta minutos, Ángel Ramón começou a respirar, e hoje é um adolescente completamente sadio, sem nenhuma sequela que se esperaria de alguém que ficou tanto tempo sem sinais vitais, portanto trata-se de um milagre. 

Ángel e a enfermeira que intercedeu a Chiquitunga por sua vida
A causa da Venerável foi estudada pela Comissão Teológica da Congregação para as Causas dos Santos, que deram seu voto e levaram aos cardeais, quando então o Prefeito da Sagrada Congregação o entregou ao Papa Francisco que foi o responsável por avaliar e assinar o decreto que permitiu sua beatificação. Portanto, Maria Felícia que recebera o título de Venerável, o maior título que a Igreja pode dar a alguém, sendo que para a consumação do processo de beatificação, se não é mártir a Igreja exige um milagre e para todos, mesmo mártir, um milagre para sua canonização, isto é, para estar no rol dos santos reconhecidos pela Igreja. É um processo que leva tempo, pesquisa, análise, inclusive gastos econômicos, para reconhecer e declarar diante do povo de Deus, que tal cristão viveu em grau heróico as virtudes. Vivenciamos, portanto,  o desfecho do processo de beatificação de Maria Felícia.

Ángel e sua mãe no dia da beatificação

No dia 23 de Junho de 2018 Chiquitunga foi declarada beata pelo Cardeal Ângelo Amato, Prefeito da Congregação das Causas dos Santos. Agora Maria Felícia já pode ser 
invocada como beata em nossas orações. Seguimos trabalhando e rezando pelo próximo e já último passo deste processo, que é sua canonização.

Ángel com sua avó e mãe na beatificação


Fotos de Ángel com sua mãe e a enfermeira durante a missa da beatificação



segunda-feira, 1 de junho de 2020

DANDO CONTINUIDADE COM O BLOG!



   



Queridos amigos de Chiquitunga e do Carmelo! Com alegria damos continuidade ao blog de nossa querida Beata Chiquitunga. 

Continuaremos de modo singelo a divulgação de sua vida, favores que recebemos e, com grande alegria, a tão esperada beatificação.

Apresentaremos seu chamado e sua decisão pela vida do Carmelo, seu itinerário percorrido no discernimento, na fé e noite escura, onde triunfou o amor de Jesus.

Relataremos graças e favores que pessoas devotas receberam por intercessão de Maria Felícia. 

Abordaremos também brevemente o relato do milagre para sua beatificação. 

Falaremos também do Grupo «Amigos de Chiquitunga», da sua oração e do seu trabalho pela nova etapa no seu processo, agora já de canonização. Estamos, portanto, na reta final deste processo. Em breve, assim esperamos, será declarada santa: Santa Maria Felícia de Jesus Sacramentado. Convidamos você a fazer parte deste Grupo, mesmo que singelamente com suas orações.

Agradecemos a todos que estão conosco nesta Causa e que Chiquitunga siga nos inspirando em nossa fé.

sábado, 29 de abril de 2017

LEMA DE MARIA FELÍCIA: TUDO TE OFERTO, SENHOR!



TUDO TE OFERTO, SENHOR!

“Tudo te oferto, Senhor!”, é o lema de Chiquitunga que ela sintetizou imitando uma fórmula química estudada no magistério: T²OS.  Este seu lema ela nos descreveu em detalhes numa breve poesia que hoje queremos partilhar!

“¡T²OS!”

Sim, tudo te oferto, Senhor,
tudo quanto há em mim:
as alegrias de minh’alma,
as agonias sem fim.

Tudo te oferto, Senhor:
meus trabalhos, meus pesares,
as notas dos meus cantares
que de contínuo elevo a Ti.

Tudo quanto há em mim,
tudo te oferto, Senhor,
para que seja de mim
o que te praza, meu Deus.

Toda inteira e sem reserva,
faz que eu chegue a subir,
para estar contigo sempre
mesmo que custe “morrer”.

“Que se consuma minha vida
Com calma, em silêncio, a sós,
Brindando-te em minha prece
A homenagem melhor".

Se é necessário, hoje mesmo.
Nada Senhor, me pertence;
A vida que Tu me deste,
Eu te entrego, Meu Deus!







sexta-feira, 28 de abril de 2017

ANIVERSÁRIO DE VIDA ETERNA 'CHIQUITUNGA'


Celebramos hoje o aniversário da entrega total da Serva de Deus Marai Felícia de Jesus Sacramentado, mais conhecida carinhosamente como CHIQUITUNGA. São 58 anos que ela partiu para a casa da Pai depois de ter vivido uma vida de doação e entrega generosa ao Senhor. Seu lema: Tudo te oferto, Senhor! 
No seu leito de morte assim ela se expressava: "Tenho sede do Seu Amor! Possuo um desejo estranho de entrega total, de imolação silenciosa e escondida: Sofro - como não sei dar a entender - este desterro. Cada dia me parece mais verdadeira a minha vocação e amo-a como só Deus pode saber!»

Na noite da sua partida entrou em coma várias vezes... E numa das vezes Felícia, ao vir a si, exclamou sorridente: «Jesus está a jogar comigo!»

Finalmente chegou o momento... Seu irmão médico afirma que já morreu. Começam a desligá-la dos aparelhos quando sucedeu o imprevisto: Conta a própria Prioresa: « De repente iluminou-se o rosto de Maria Felícia com um sorriso inexprimível; levantou as mãos que tinha unidas apertando o Crucifixo da Profissão e com voz clara e forte disse: Paizinho querido, sou a pessoa mais feliz do mundo... Se soubesses o que é na verdade a Religião Católica! E terminou dizendo estas palavras: «Jesus! Eu Te amo! Que doce encontro! Virgem Maria!» e placidamente partiu, ficando estampado no seu rosto o seu sorriso característico.
A vida de Maria Felícia foi uma contínua doação como o foi a de Cristo. Nada mais convincente do que escreveu Teodor Estudita sobre a cruz, que relata tão bem o que é a vida de quem se entrega ao Amor.
"Ó preciosíssimo dom da cruz! Vede o esplendor de sua forma! Não mostra apenas uma imagem mesclada de bem e de mal, como aquela árvore do Paraíso, mas totalmente bela e magnífica para a vista e o paladar.
        É uma árvore que não gera a morte, mas a vida; que não difunde as trevas, mas a luz; que não expulsa do Paraíso, mas nele introduz. A esta árvore subiu Cristo, como um rei que sobe no carro triunfal, e venceu o demônio, detentor do poder da morte, para libertar o gênero humano da escravidão do tirano. 

        Sobre esta árvore o Senhor, como um valente guerreiro,ferido durante o combate em suas mãos, nos pés e em seu lado divino, curou as chagas dos nossos pecados, isto é, curou a nossa natureza ferida pela serpente venenosa. 
        Se antes, pela árvore, fomos mortos, agora, pela árvore, recuperamos a vida; se antes, pela árvore, fomos enganados, agora, pela árvore, repelimos a astúcia da serpente. Sem dúvida, novas e extraordinárias mudanças! Em vez da morte, nos é dada a vida; em lugar da corrupção, a incorrupção; da vergonha, a glória. 
        Não é sem razão que o Apóstolo exclama: Quanto a mim, que eu me glorie somente na cruz do Senhor nosso, Jesus Cristo. Por ele, o mundo está crucificado para mim, como eu estou crucificado para o mundo (Gl 6,14)". 



sábado, 18 de fevereiro de 2017

PADRE GERAL DOS CARMELITAS DESCALÇOS VISITA CARMELO DE MARIA FELÍCIA

Celebração Eucarística em honra da Serva de Deus Maria Felícia de Jesus Sacramentado


Homilia do dia 28 de janeiro de 2017 – Assunção (Paraguai)
Queridas irmãs, queridos irmãos:
É para mim uma grande alegria compartilhar com todos vocês este dia dedicado a recordar de modo particular a figura da Serva de Deus Maria Felícia de Jesus Sacramentado.
Ouvi falar com frequência do amor que existe no Paraguai, e de modo particular aqui, em Assunção, por Chiquitunga, e devo dizer-lhes em primeiro lugar que quanto tenho escutado não eram exageros. Eu mesmo já pude comprová-lo!
As leituras de hoje nos ajudam a penetrar no segredo de uma vida santa e receber, como consequência, a graça que o Senhor faz quando dá a sua Igreja uma filha como Chiquitunga, da qual aprender e a quem dirigir-se para receber dela ajuda e proteção.
Assim, na carta aos Hebreus escutamos que “A fé é fundamento do que se espera e prova do que não se vê. Por esta fé nossos antepassados foram aprovados por Deus”.
Hoje, porém, tantos acontecimentos fazem entrar em crise nossa esperança. Também Maria Felícia teria podido perdê-la em alguns momentos: por exemplo, quando quis seguir o chamado para o amor que o Senhor havia posto em seu coração, sem poder apoiar-se no suporte e na compreensão de seus familiares, que a queriam casada; ou melhor – havendo-se consagrado generosamente ao apostolado –  , quando visitava os enfermos, os encarcerados ou aos mais pobres, indo a vê-los sozinha, sem temer perigo algum. Sua força foi sempre uma fé inquebrantável na proximidade de Jesus e na fidelidade do amor de Deus, que sempre nos acompanha. Por isso, também Maria Felícia foi aprovada por Deus e podemos suplicar sua intercessão, recebendo ajuda notavelmente, como muitíssimas pessoas tem experimentado.

Também Jesus, no Evangelho, fala da fé. Ou melhor, faz aos discípulos – portanto a nós – uma pergunta: “Como não tendes fé?” O que havia debilitado a fé dos discípulos em Jesus, que estava na barca com eles e dormia? Poderíamos pensar que foi o medo pelo fenômeno aterrador que estava sucedendo – uma terrível tempestade que ameaçava com fazê-los naufragar – , porém não é assim. O que aos discípulos então como a nós agora pode fazer-nos perder a confiança é um pensamento maligno: crer que a Jesus na realidade não lhe interesse se nossa vida é difícil, se sofremos, se estamos cansados, se temos problemas. Jesus lhes faz compreender, e quer fazer-nos entender, que se Ele está conosco, tudo está bem, nossa vida está segura ainda que as coisas vão mal e existam perigos. Jesus queria fazer-nos passar à outra margem, isto é, fazer-nos passar da preocupação por nossa vida à capacidade de confiar-Lhe a nossa vida, sempre e até o mais profundo.

Isto o entendeu e viveu intensamente Maria Felícia, expressando-o com aquela fórmula que recolhe a atitude espiritual necessária e suficiente para caminhar em meio dos caminhos complicados da vida em direção ao cumprimento da comunhão eterna de amor com nosso Deus: “T²OS = Tudo te oferto, Senhor”.
Usando as palavras de Chiquitunga, peçamos também nós a Trindade Santa a força e o valor para escolher sempre servir, amar concretamente e não só com palavras, depositando com fé toda nossa vida nas mãos do Pai: “Da-me forças para a luta e da-me sobretudo muito, muito amor, ardente amor a Ti, Jesus Eucaristia”.
( P. Saverio Cannistrà – Prepósito Geral da Ordem dos Carmelitas Descalços)












quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

MENSAGEM DOS "AMIGOS DE CHIQUITUNGA" NO ENCERRAMENTO DOS TRABALHOS DE 2016

Caríssimos Irmãos e Irmãs!

Como divulgado anteriormente, no dia 28 de cada mês, a Celebração Eucarística realizada nesta Capela, é dedicada aos devotos e amigos de Chiquitunga, pedindo pela sua beatificação. Hoje, excepcionalmente, esta sendo nesta data para concluir os trabalhos do ano. Ficam assim, as Irmãs Carmelitas com a missão até o final de fevereiro de 2017, da divulgação e das orações pela comunidade e pessoas que mais necessitarem.

O Grupo “Amigos de Chiquitunga” são pessoas que trabalham para propagar entre o povo de Deus, a vida e virtudes da Venerável, difundindo sua biografia e escritos, para conseguir do Senhor, o mais pronto possível a graça, sem dúvida, extraordinária para nossa Igreja e povo, da beatificação e canonização da Venerável Irmã Maria Felícia de Jesus Sacramentado (Chiquitunga), que é uma irmã carmelita paraguaia.
Esta divulgação no cenário Brasil iniciou aqui no Carmelo de nossa cidade e já está espalhada pelo país, onde a tarefa realizada é uma mensagem transmitida para a fé.

MAS POR QUÊ, CHIQUITUNGA?
Chiquitunga é um apelido de origem guarani, colocado por seu pai, que traduzido quer dizer: “pequerrucha, prestativa, modesta, simples” e outros adjetivos.

SEU VERDADEIRO NOME
Maria Felícia Guggiari Echeverría. Viveu entre nós só 34 anos, mas com fama de santidade em meio ao povo de Deus. Quando de sua partida da vida terrena, o comentário que se ouvia entre as pessoas era: “Morreu uma santa!”

Apesar de ser sobrinha de um presidente do seu país, ela lutava por suas ideologias. Sua misericórdia é sem limites, nem credos, classes sociais e políticas. Para ela todos são irmãos que devem ser amados, servidos, acolhidos, iluminados. Para os adversários políticos, que inclusive lhe impediam o acesso aos estudos do magistério, Chiquitunga não tinha outra coisa senão perdão.

Quando fomos convidados para fazer parte do grupo, e para ter um maior volume dos fatos e acontecimentos na vida de Chiquitunga, nos deslocamos até a cidade de Assunção, capital do Paraguai, mais especificamente ao Carmelo, onde encontramos ali um lugar lindo com uma paz aconchegante. Foi nesse espaço que vimos a urna com o coração do Padre Roque (esta urna já esteve na nossa Catedral em mais de uma oportunidade), e outra urna com o cérebro da Irmã Maria Felícia, Chiquitunga, em perfeito estado (com 57 anos).

Recentemente, quando da sua visita em Assunção, Paraguai, o Papa Francisco declarou que o processo de beatificação, apesar de ser muito recente (14 anos), poderá ser concluído em meados de 2017. (Há processos que demoram décadas e outros centenas de anos).
Para concluir, em seus últimos minutos de vida, Irmã Maria Felícia proferiu as palavras finais: “Jesus, te amo! Que doce encontro! Virgem Maria!”

Nesta oportunidade convidamos as pessoas voluntárias que queiram fazer parte do grupo, podem contatar com a Irmã Rejane.

“Peçam a Chiquitunga e verão maravilhas!”

Valtamar Américo Wandscher – integrante do Grupo “Amigos de Chiquitunga”

Partilhamos algumas fotos da missa  e do encontro de encerramento dos trabalhos do ano de 2016 e a confraternização do Grupo "Amigos de Chiquitunga" com as irmãs do Carmelo de Santo Ângelo.











































sábado, 10 de dezembro de 2016

DOIS SANTOS PARAGUAIOS


Padre Roque Gonzales e Irmã Maria Felícia de Jesus Sacramentado são exemplos de vida cristã nascidos no Paraguai. A Venerável Maria Felícia, conhecida como Chiquitunga, que estamos a divulgar e trabalhando com um grupo de leigos, os “Amigos de Chiquitunga”, na Causa de sua beatificação. Os trabalhos já estão bem adiantados. Esperamos que no próximo ano ela seja declarada beata. Todos os dias 28 de cada mês na Capela do Carmelo Sagrado Coração de Jesus, Santo Ângelo, celebra-se a Eucaristia por sua beatificação e reza-se pela saúde e pelas pessoas enfermas.

Numa visita realizada ao Carmelo de Assunção do Paraguai, Carmelo da Venerável, onde o Sr. Pedro Durigan que havia passado por uma enfermidade, e recebido a graça do restabelecimento de sua saúde por intercessão de Chiquitunga, foi para agradecer com seus amigos e três irmãs de nosso Carmelo. Foi então que a Priora do Carmelo de Assunção pediu para que nosso Carmelo assumisse a divulgação de sua vida e santidade no Brasil.

Os dois santos paraguaios, ambos quiserem permanecer visivelmente entre nós. Padre Roque deixou-nos seu coração, Chiquitunga, seu cérebro.

Desejamos que como S. Roque que é tão querido e amado por nosso povo missioneiro, ao lado de seus companheiros mártires, Afonso e João, nossa Venerável Irmã Maria Felícia também seja. E que todos os que desejam possam recorrer a sua intercessão. A seguir deixamos sua oração para recorrer a ela. 

Oração

Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, que vos alegrais em fazer vossa morada no coração das pessoas: vos damos graças por terdes derramado na Venerável Maria Felícia, o fogo do vosso amor, levando-a a doar sua juventude no apostolado leigo e imolar-se por todos na Vida Contemplativa. Vos louvamos e bendizemos, porque com sua exemplar figura, nos manifestais vossa bondade de Pai e Amigo e nos revelais as exigências do verdadeiro amor.Vos rogamos que nos concedais por sua intercessão a graça que vos suplicamos, se tudo for para maior glória e bem das almas. Amém.

(Pai Nosso, Ave Maria e Glória)

Para maiores informações entre em contato conosco pelo e-mail:

chiquitungaocd@gmail.com

Ou Facebook: Chiquitunga no Brasil

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

A MISERICÓRDIA EM CHIQUITUNGA

Embora quase, se não totalmente inexistente nos escritos de Chiquitunga o sacramento da reconciliação, a vida de Chiquitunga é uma vida oferente em misericórdia e de misericórdia. Quem nos dá a chave para entender, abrir e entrar pela porta desta vida oferente em misericórdia é o Pe. César Alonso Las Heras. Ele quis escrever uma biografia de Chiquitunga intitulada: “A NOIVA ETERNA QUE MORREU DE AMOR”, mas partiu antes de escrevê-la. Mas, pode ser que já tenha surgido a interrogação: “O que tem este título haver com a misericórdia? A seguir veremos que tem tudo haver. A vida de Chiquitunga foi uma entrega em amor “nupcial”, como diz Frei Júlio Félix Barco, carmelita. "Ela se enamora de Jesus desde criança, e na juventude, aos 16 anos quando se dá conta do dinamismo de sua feminilidade, orienta-a totalmente para Jesus e faz de seu ser “uma oferenda ao ‘Amado’”, e sintetiza tudo isto no seu lema com que se tornou conhecida: “Tudo te oferto, Senhor!”
Misericórdia é uma palavra que vem do latim e significa “dar o coração aos miseráveis”. A vida de Chiquitunga é uma entrega em amor “nupcial”, uma entrega Àquele que é o Rosto da Misericórdia do Pai, Jesus Cristo. Chiquitunga faz de toda sua vida, de todo seu ser de mulher o movimento que está inerente na misericórdia: “dá o seu coração a Jesus e nele aos irmãos”; e, no coração, símbolo da entrega no amor: oferece, entrega, doa tudo; cada pulsar, cada respirar, todas suas forças até o esgotamento de tudo, como ela mesma nos diz: “Todo meu afã está em trabalhar até cair rendida, (como em algumas noites), até esgotar as forças pela Glória de Deus e a salvação das almas!"

Chiquitunga vive sua entrega oferente em misericórdia “nos mais diferentes aspectos de sua vida familiar, social, laboral, apostólica, mística; na sua casa, na Normal de Magistério, no trabalho da escola, no apostolado com as crianças, os jovens, os encarcerados, os enfermos e idosos...; recolhida junto ao Sacrário, na oração noturna de intimidade com o Senhor. Em toda parte vivia seu lema que resume a resposta do crente ao Deus Amor que nos deu tudo em seu Filho: ‘Tudo te oferto, Senhor!’, como ‘um sacrifício vivo, santo, agradável a Deus’”(Fr. Júlio). Podemos ver como Chiquitunga viveu todas as catorze obras de misericórdia, as corporais e espirituais; cuidou das pessoas em sua integridade e totalidade: deu de comer aos famintos, deu de beber aos que tinham sede, vestiu os nus, acolheu os estrangeiros, visitou os enfermos e encarcerados, sepultou os mortos (obras corporais), aconselhou os duvidosos, ensinou os ignorantes, admoestou os pecadores, consolou os aflitos, perdoou as ofensas, suportou com paciência as injustiças e rezou a Deus pelos vivos e pelos mortos (obras espirituais). Exemplo disso é o que nos conta a seguir: “Que a pouca sede que possamos sentir às vezes, sirva para saciar a sede deles, que a pouca fome que possamos sentir, nos faça lembrar deles e elevar as nossas orações e sacrifícios por estes irmãos... Maria Imaculada proteja-os, vele por eles e a cada um de nós faça cada vez mais, fiéis seguidores do seu Filho”.

Quem não se comove diante da leitura no livro do episódio de sua infância só conhecido na vida dos santos? “Certa vez -no-lo conta a mãe- o senhor Ramão presenteou a Maria Felícia e a sua irmãzinha caçula (“Manhica”) dois “abrigozinhos” muito lindos, que estrearam num dia de muito frio. Maria Felícia voltou do Colégio tremendo de frio. O que aconteceu? Naquele dia encontrou-se com outra menina que tremia de frio e sem pensar duas vezes, Maria Felícia despojou-se da capa e cobriu com ela sua vizinha acidental... Sua irmãzinha, escandalizada pelo acontecido, acusou-a ante seus pais... Porém as inquisições e ameaças ... nada obtiveram dela. “Mas paizinho, não vês que não tenho frio!”-repetia passando as mãozinhas pelo seu braço desnudo e tiritante-. “Não sinto frio!”(Fr. Júlio).

Em Chiquitunga a misericórdia tem uma fonte de onde ela brota: a Eucaristia, e, não existe Eucaristia sem reconciliação. De sua Primeira Eucaristia que ela denominou: “A primeira união com meu Deus”, nasce seu desejo de ter um coração reconciliado; sinal e símbolo disso é o guarda-pó branco com que continuamente reveste seu corpo de mulher, comovida com a parábola que sua catequista lhes contou. “O guarda-pó branco era símbolo da pureza na qual queria manter seu coração para Jesus. E, além disso, para ser acolhida mais natural e facilmente entre seus queridos pobres, velhinhos e doentes. Vestida de acordo com seu sobrenome Guggiari e, como sobrinha de um presidente da República, teria produzido um distanciamento de seus amigos, os pobres” (Fr. Júlio).
 Ela mesma é quem nos relata isto: “Nunca se apagará da minha mente a lembrança do dia mais feliz de minha vida, o dia da primeira união com meu Deus e o ponto de onde parte minha resolução de ser cada dia melhor”. É o seu ponto de partida conscientemente para a santidade.
Relato claro de sua mansidão e misericórdia é o que nos deixam seus irmãos: “Sendo Maria Felícia a mais velha, poder-se-ia esperar dela dentro da família, atitudes de certa superioridade para ser obedecida pelos outros cinco irmãozinhos. Mas, isto não; bastava-lhe a doçura. ‘Nunca recebemos dela, por nossas travessuras, mais que um olhar de reprovação ou um doce sorriso, ou uma palavra tão suave que mais nos animava a mortificá-la, para ver se perdia o controle..., mas nunca obtínhamos nosso resultado’”.
Sua adesão entusiasta à Ação Católica, e nela sua consagração ao apostolado, consagração radical em virgindade: em alma e corpo, por que estava certa de sua vocação de entrega integral a Jesus e com uma intenção bem concreta: pelos sacerdotes. Ser uma “pequenina Hóstia de Amor e reparação, por eles; porque é necessário que todos sejam santos”. Esta jovem sente e vê em toda sua pureza como Santa Teresinha que os sacerdotes que deveriam ser como anjos, são frágeis criaturas e necessitam da misericórdia oferente de sua frágil vida entregue a Deus no silêncio e abdicação de todos os seus sonhos e desejos. Ela o consumará mais tarde quanto transpassar a porta da clausura do Carmelo.
O Ideal que a atraia era Jesus Cristo, o Jesus dos Evangelhos, a quem ela encontrava na intimidade da oração e no Sacrário. O centro de toda sua vida era a Eucaristia diária. E junto com Jesus, a Santíssima Virgem em seu coração e em suas práticas piedosas: diariamente rezava os quinze mistérios do Rosário.
Chiquitunga vivia e agia como enamorada em todos os aspectos de sua vida.

No apostolado da Ação Católica, colaborando em “todos os ramos..., porque seu ardor traspassava toda fronteira precisa; entregue “às meninas e adolescentes,” “as pequenas”: era comum vê-la saltar e cantar com elas com uma alegria de viver tão admirável como contagiosa; às jovens da Associação de Senhoritas da Ação Católica”, na Escola Normal, pois ali tinha se estabelecido um centro; aos marginalizados, seus preferidos desde quando menina e que o seguiriam sendo sempre.
Em seu idealismo juvenil, chegou a Venerável a sonhar já nesse tempo com as missões entre infiéis. Na família, Chiquitunga vivia feliz, fazedora de paz e conselheira; semeadora de alegria; esquecida de si para dar gosto aos outros. “O ambiente em casa era bonito; uma família bem constituída, unida; ela era o nexo para isso. Todos ponderavam como era acolhedora a família; mas na realidade quem fazia que fosse acolhedor seu lar era Chiquitunga” (Fr. Júlio).
Sua misericórdia é sem limites e não conhece fronteiras, nem de credo, classes sociais, ideologias, políticas. Para ela todos são irmãos que devem ser amados, servidos, orientados, acolhidos, iluminados. Para os adversários políticos, que inclusive lhe impediam o acesso aos estudos do Magistério, Chiquitunga não tinha outra coisa senão perdão; e, para inculcá-lo aos demais, compôs uma canção de pensamento político cristão. “Perdão” e “reconciliação” era o lema:
“Estendei a mão ao vosso adversário,
Vosso adversário tradicional...”(Fr. Júlio).
Seu heroísmo misericordioso chega ao extremo quando sonha com um amor, não para tê-lo para si, mas para renunciá-lo. É célebre a frase que nos deixou sintetizando seu heroísmo misericordioso: “Que bonito seria ter um amor, renunciar a esse amor e juntos imolar-nos ao Senhor pelo Ideal”. Mas quando seu sonho se tornou real, Chiquitunga conheceu o martírio do coração, entra numa terrível noite do espírito, da alma, do corpo e do coração, e está sozinha no rol dos santos com um martírio semelhante, o martírio do coração e consequentemente de todo seu ser, que a levará paulatinamente a entregar tudo numa vida de oferta total de si mesma por todas as pessoas. Este oferta de tudo é o Carmelo. E ora assim a nossa Mãe Maria: “Dai-me, dai-me ó Maria, a graça de que veja e possa, o mais cedo possível, cortando com o que me amarra, romper e ir até Cristo, e abraçar-me só a Ele e Nele viver por meu amado irmão, dia a dia consumindo-me!”.
Enquanto isto ela continua sua ação misericordiosa entre os seus amados: “Além do apostolado organizado na Ação Católica, ao qual Chiquitunga continuou dedicada apaixonada e fielmente, a nível paroquial, diocesano e nacional desgastando-se pelos diferentes setores: meninas, senhoritas, estudantes, jocistas, etc., Maria Felícia tinha o coração aberto ao apostolado pessoal de todos os necessitados material ou espiritualmente: idosos, enfermos, afastados, encarcerados.
Anos intensos, repletos de gestos heróicos e de episódios simpáticos, de conquistas apostólicas e de luta interior. Entre os muitos atos que se poderiam recordar, destacamos um, que testemunha a força apostólica de Chiquitunga e que expressa a amplitude e variedade de sua ação pastoral. Referimo-nos à transformação espiritual ou conversão do poeta anarquista Marcelino Valiente, encarcerado por suas ideias. Ele mesmo relatava como Chiquitunga foi à prisão para visitá-lo e como ele começou a mudar interiormente diante de suas palavras. No poema “Memento” conta agradecido as visitas que a ele, pobre e doente, jazendo em um mísero tugúrio, fazia-lhe a Venerável, levando consolo, esperança e fé. A mudança definitiva se operou quando uma noite vagava ele como um desesperado e se encontrou com Chiquitunga na rua. Essa noite Chiquitunga lhe explicou o que é ser cristão, e isso – disse – deu luz à minha fé, firmou minha fé definitivamente. Essa noite Chiquitunga foi:
“ a ponte sagrada e bendita
que utilizou o Pai, Amor infinito,
para dar-me graça, saúde, fé e amor”
Marcelino Valiente canta sua bravura evangelizadora e a sintetiza assim:
“Chiquitunga!, seu nome de batalha,
terrível, ainda que de diminuta talha;
estudantes e operários admiraram-na...
e os pobres, os presos, os enfermos
tiveram-na também por esses ermos(Fr. Júlio).
E por fim seu amor decide-se pelo sacerdócio: “de manhãzinha, diante de um grupinho de amigos da Ação Católica, Chiquitunga e Sauá davam-se um duplo e forte abraço de despedida, até a eternidade! Arrancou o velho trem. Era a consumação do sacrifício. Não voltariam a ver-se neste mundo” (Fr. Júlio).
Ela segue sedenta de consumar sua entrega em misericórdia: “Tenho sede de seu amor! Uma ânsia estranha de entrega total, de imolação silenciosa e escondida; sofro, por não poder dar-lhe a entender este meu desterro! Cada dia parece-me mais verdadeira minha vocação, e a amo como só Deus pode saber!”.
Ela se sentirá ligada mais fortemente que antes aos sacerdotes, por eles entregará sua vida ao Senhor! Escrevia então: “Dias semelhantes pelos quais estou passando, somente saberão valorizá-los aqueles que tenham passado estes instantes inigualáveis de felicidade, por aquilo de que o ‘primeiro passo’ é o começo ‘do fim’.  Mas, ficavam muitas interrogantes, seguir-se-iam meses de solidão e insegurança, mas um encontro previsto pela misericórdia de nosso Bom Deus, com a Priora do Mosteiro das Carmelitas Descalças recém fundado em Assunção, devolveu a paz e o conforto que ela necessitava. E ela sintetiza toda esta paz numa frase da carmelita que se gravou profundamente em seu coração: “Somente devo preocupar-me de que meu amor se centre de novo todo nele, em Jesus”.
E assim se fez, o movimento da misericórdia triunfou em Chiquitunga. Vemo-la entrar pouco tempo depois no Carmelo e consumar em quatro anos sua entrega em amor nupcial ao Amado de seu coração. Oferente, a espera do Amado, “noiva eterna”, suas núpcias não serão prelibadas na terra, serão consumadas no Céu com o Esposo Divino para quem se preparou servindo na terra em amor oferente, dando na terra seu coração aos “mais pobres, humildes e perdidos” (Tagore).
O seu sorriso e as palavras com que entrou na câmara nupcial são eco do abraço eterno destas núpcias eternas eternamente celebradas no júbilo sem fim da eternidade: “Jesus, te amo! Que doce encontro! Virgem Maria!”

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Breve relato da Vida de Chiquitunga

Relatar a vida de Chiquitunga é contar a história de uma jovem apaixonada do Mestre Jesus que já desde cedo abriu para ele as portas do coração e deixou-se transformar pelas exigências e os efeitos desse amor.
Maria Felícia nasceu na cidade de Vilarrica, no Paraguai. Primeira dos sete filhos de Maria Arminda e Ramão. A família, muito rica em valores humanos, porém pouco ligada à religião. Era fisicamente pequena, por isso o pai apelidou-a de “Chiquitunga”.
Criança meiga, delicada, esperta e alegre, já nos primeiros anos de vida, graças à formação religiosa que recebeu num colégio dirigido por freiras, sentiu-se atraída por Jesus e com ele gostava de servir, de suprir como pudesse as necessidades dos mais fragilizados.
Em meio aos seus estudos, na adolescência e juventude, gastava o tempo livre visitando famílias carentes. Os pobres idosos que ela assistia, vendo-a e tratando com ela, recuperavam o brilho do olhar, porque ela transmitia-lhes com entusiasmo as palavras de Jesus misturadas nos gestos de carinho e atenção e sempre deixava-lhes como lembrança pequenos jasmins que levava no peito. Eles, como retribuição, beijavam-lhe a barrinha do avental que sempre usava, pois achava que roupas que combinassem com o seu sobrenome e a posição social da família a afastariam dos seus queridos pobres e doentes.
Aos 16 anos ingressou na Ação Católica, encontrando ali um eco às suas ânsias de amor e serviço. Foi nesse movimento que, graças aos conselhos de um jovem sacerdote e guia espiritual, Chiquitunga aprimorou-se humana e espiritualmente. Nessa idade consagrou sua virgindade a Jesus, desejando ingressar, um dia, em alguma congregação religiosa.
Aos 25 anos, Chiquitunga transferiu-se com a família para a capital do Paraguai, a cidade de Assunção. Ali continuou seus estudos e tarefas apostólicas, visitando hospitais, favelas, presídios, jovens operárias, prostitutas... Pouco tempo depois de sua chegada, conheceu um jovem dirigente da Ação Católica, estudante de medicina, com quem partilhava os mesmos ideais. Chiquitunga admitiu a companhia dele para atender os pobres e doentes nos bairros marginais, aonde seria perigoso aproximar-se uma jovem sozinha. E aconteceu que aquela que até esse momento tinha recusado as solicitações afetivas, sentiu-se fortemente apaixonada por aquele jovem. O natural teria sido que dita relação acabasse em matrimônio, porém não foi assim. Ambos decidiram consagrar-se inteiramente a Deus, ele no sacerdócio e ela na vida religiosa.
Assim, aos 30 anos, ingressou no Carmelo de Assunção, onde viveu generosa e alegremente, entregando sua vida por todos os sacerdotes, desejando ser de todos por amor de Jesus.
Quatro anos depois adoeceu de hepatite, e aos 28 de abril de 1959, quando tinha 34 anos de idade, o Mestre chamou-a para si. Suas últimas palavras foram: “Jesus te amo! Que doce encontro! Virgem Maria”.

 Desde então, Maria Felícia de Jesus Sacramentado, a Chiquitunga, vem sendo fonte de inspiração para muitos cristãos, que recorrem à sua intercessão e exemplo. Podemos dizer que através dela, Deus quer demonstrar ao mundo que o cristianismo mais puro, a santidade, é gozo e se pode viver na alegria.

domingo, 17 de maio de 2015

Nos passos de Chiquitunga

A todos os Amigos e Devotos de Chiquitunga queremos oferecer o relato de Prof. Hercílio, ocds. Ele participou na Missa do dia 28 de Abril, em Assunção e partilhou conosco a sua experiência e fotos do evento. Obrigada, Hercílio, por este valioso presente, que a todos os que não estivemos lá, contagia-nos com as emoções que você vivenciou.

28 de Abril de 2015 – A Igreja e o Carmelo do Paraguai em Festa “Não tive o prazer de conhecer Teresa de Jesus, mas pelas filhas e obras literárias vejo a grandeza da mãe.”
Frei Luís de León (1527-1591)


Em cada ser humano, Deus coloca sua identidade e sua espiritualidade de forma personalizada, única, sem repetição, mesmo entre os gêmeos uni ou bivitelinos. No arco-íris da família teresiana, encontra-se diferentes nuances e tonalidades, refletidas pelos seus diferentes chamados e vocações, seja refletido nos seculares, seja refletido nos religiosos (monjas e frades). Neste amplo espectro de riqueza e diversidade, a história nos foi apresentando alguns modelos, sejam explícitos, sejam mais ocultos, no silêncio e na discrição, como é próprio do Carmelo teresiano. Neste cenário espiritual, a
Igreja nos apresenta homens e mulheres que foram outorgados com o título de Veneráveis, Beatos e Santos.
No último dia 28 de abril, o Carmelo do Paraguai se lembrou de modo especial, os 56 anos de falecimento de uma filha querida e especial, que encerrou sua missão terrena aos 34 anos, exatamente na madrugada de 28 de abril. Estamos fazendo menção, a Irmã Maria Felícia de Jesus Sacramentado,

carinhosamente chamada de Chiquitunga. Exemplo de filha, modelo de jovem e doação ao projeto de Deus no serviço aos irmãos foram características desta jovem leiga e carmelita paraguaia. Desta breve, mas fecunda e ativa vida, Chiquitunga exerceu diversas missões na Ação Católica do Paraguai, entre os 16 e 30 anos, quando Deus a conduziu aos umbrais do recém fundado, Carmelo de Assunção. Como é habitual e corrente no Carmelo em Assunção, celebram-se todos os dias 28 de cada mês, uma Eucaristia solene e em memória desta jovem. E no dia 28 de abril de cada ano uma solenidade especial em recordação desta filha do Carmelo teresiano. Neste dia 28 de abril, o Carmelo de Assunção presenteou a Igreja e todos os fiéis com a inauguração do espaço da nova Tumba de Chiquitunga, adjacente a lateral da Capela das Carmelitas Descalças, onde os fiéis poderão estar mais “próximos” e em oração, com a presença da urna contendo os restos mortais e o relicário com o cérebro incorrupto da Venerável Serva de Deus. Faremos um breve relato desta experiência vivenciada recentemente. Não faremos menção neste espaço à biografia ou literatura desta jovem que
nasceu em Villa Rica, no interior do Paraguai e que merece ter sua vida e trajetória conhecida e admirada.
Cadeiras situadas na rua frente ao Carmelo
A Celebração Eucarística estava marcada para as 18:30h na Capela do Carmelo e na sequência a benção do novo espaço mencionado. Porém, bem antes das 14:00h já se observava a presença de um expressivo número de fiéis nos arredores do Mosteiro e no interior da Capela. Assim, ao som da harpa paraguaia e com canções baseadas nos escritos de Chiquitunga, as pessoas iam chegando. De forma cuidadosa, observava-se no exterior do Mosteiro, pelo menos em duas quadras anexas, a presença de um número amplo de cadeiras e de telões dispostos para todos poderem acompanhar a Celebração da Santa Missa. Um pouco antes das 18:30h com mais de mil pessoas presentes, destacando-se a presenças dos Seculares do Carmelo paraguaio e familiares de Chiquitunga, foi recitado o rosário permeado com pensamentos e lembranças da vida da Serva de Deus. A Celebração foi presidida pelo Arcebispo Metropolitano de Assunção, Edmundo Valenzuela Mellid, tendo a presença de diversos padres concelebrantes. Estava também presente à Celebração, Pastor Cuquejo, Arcebispo Emérito de Assunção. Aqui cabe abrir um parêntese. Este mesmo religioso, quando tinha por volta de 10 anos de idade, aluno da Escola Paroquial do Perpétuo Socorro, em Assunção, pode cruzar diversas vezes nos corredores como uma professora sorridente e amigável que o saudava de forma bastante cordial. Esta professora era Maria Felícia. Os planos de Deus permitiram que aquele menino, se tornasse um missionário Redentorista e anos depois, como Arcebispo de Assunção, participasse do Processo para Canonização da jovem Chiquitunga.
Voltando a Celebração, particularmente a homília, o celebrante discorreu sobre as funções de um Santo ou uma Santa. O que fizeram enquanto seres humanos para merecerem tal nomenclatura? Que ações sobrenaturais ou místicas realizaram? Talvez tenhamos que entender tais perguntas com um
olhar simples e singelo. E o Arcebispo comentou sobre três parâmetros comuns a todos estes bem aventurados. O primeiro, a graça de serem modelos pelo que fizeram e plantaram e cultivaram durante suas vidas e não de uma hora para outra e nem num único momento. Também se lembrou da ação intercessora que os mesmos devem ter para conosco. E finalmente recordou da missão protetora que estes amigos de Deus devem ter para com os fiéis. Assim, cabe-nos destacar que a Ir. Maria Felícia não somente durante sua vida, mas nestas mais de cinco décadas pós-morte enquadra-se inteiramente nestas narrativas. Esta jovem que imolou sua vida pelos pobres, pelos jovens e
anciãos, pelos sacerdotes e acima de tudo em servir ao semelhante deve ser lembrada e venerada.
Após a Celebração, foi realizada a benção do espaço inaugurado, contendo, além da urna com os restos mortais e o relicário com o tecido cerebral da Ir. Maria Felícia, conhecida também como o jasmim paraguaio. Se buscarmos a etimologia do nome da planta jasmim, encontraremos que são
folhas simples, com pétalas patentes, raramente excedendo dois centímetros de diâmetro e quase sempre perfumadas. A grande maioria possui flores brancas. Nesta definição, uma vez mais se encontram aspectos comuns à Chiquitunga, ou seja, a simplicidade, o perfume religioso e a discrição.
Após a Celebração, os mais de mil fiéis de forma ordenada, visitaram o espaço inaugurado e conheceram este presente de Deus à Igreja paraguaia.
Se ao final de sua vida terrena, Chiquitunga já no seu leito de morte, misticamente, recebe a visita da Santa Madre Teresa e de Teresa do Menino Jesus, faz-nos pedir, sobretudo neste ano dedicado a Vida Consagrada que esta jovem seja mais um modelo para a Igreja paraguaia e universal e intercessora de todos os jovens e daquelas comunidades seculares e de religiosos. O Papa Francisco em sua Carta Apostólica para Proclamação do Ano da Vida Consagrada nos diz: Juntos, damos graças ao Pai, que nos chamou para seguir Jesus na plena adesão ao seu Evangelho e no serviço da Igreja e derramou nos nossos corações o Espírito Santo que nos dá alegria e nos faz dar testemunho ao mundo inteiro do seu amor e da sua misericórdia. Este breve trecho da Carta Apostólica nos possibilita ainda mais a aproximarmos da Serva de Deus, sobretudo pelo amor e a alegria que consumiram sua vida pelo
semelhante. E como profetizou seu querido amigo, Sauá, todo bem que ela fez na terra será pouco perante o que fará no céu. Ao encerrar este breve relato, faz-nos justiça mencionar, além da
presença de inúmeros seculares e religiosos que se esforçam por levar o perfume do jasmim paraguaio para além fronteiras, a perseverança das Carmelitas Descalças de Assunção e do Irmão Restituto Palmero Rodrígues. In memorian, também se destaca a incansável busca e esforços para tornar Chiquitunga mais conhecida, realizadas durante anos pelo Padre Julio Félix Barco.
A Beata Elisabete da Trindade escreveu: “Ó Astro Amado, fascinai-me a fim de que não me seja mais possível sair de vossa irradiação”. E de fato, isto foi feito em toda vida da Ir. Maria Felícia de Jesus Sacramentado. E suas últimas palavras foram: “Jesus, te amo! Que doce encontro! Virgem Maria!.
Que a Serva de Deus Chiquitunga, continue sendo este modelo para os leigos e para os consagrados em suas caminhadas.

Novo túmulo

Interior da capela do Carmelo, ao fundo à direita as grades do coro

Relicário contendo o cérebro de Chiquitunga e urna com os seus ossos., no interior do túmulo-oratório

Professor Hercílio Martelli Júnior
Comunidade Beata Elisabete da Trindade, OCDS
Montes Claros, Minas Gerais